Virtuoso é quem tem virtude

Épocas Literárias: Resumo

Erich Cavalcanti

2006 ou 2007

Conteúdo: Trovadorismo, Humanismo, Classicismo, Barroco, Arcadismo (neoclassicismo), Romantismo em Portugal, Romantismo no Brasil - Poesia e Prosa

Trovadorismo

Iniciada bem no fim do século XII, esta foi a primeira época literária portuguesa. Eram simples poemas cantados, ou cantigas e trovas – como eram conhecidos - , que tinham como temas o amor e a saudade. Os poetas eram classificados como trovadores – pertencentes à pequena nobreza –, jograis – pertencentes ao povo – e menestréis – cantavam tanto ao povo quanto à nobreza –.

A visão teocêntrica era predominante devido ao período histórico. A literatura tinha duas interessantes características, a primeira foi seu surgimento em versos, para facilitar a memorização, a segunda foi o fato de que existia não para ser lida individualmente – como hoje – mas para ser ouvida em público.

Poesia lírica:

  1. Cantiga de amor: eu-lírico masculino; amor cortês; coita amorosa – um amor impossível é buscado -. Cantiga composta por estribilho – refrão – onde há repetição de versos no final de cada estrofe, há também certa métrica bem determinada – onde devia-se ter um número determinado de versos para uma boa composição -.
  2. Cantiga de amigo: eu-lírico feminino; uma jovem falando da saudade que tem de seu amado ou de seu amigo, contem como forte elemento a descrição de parte do cenário ou o diálogo com pessoas e/ou natureza.

Poesia satírica: procurava retirar das pessoas o riso, tendo como base o falar mal dos outros. Temas comuns são o adultério e a corrupção.

  1. Cantiga de escárnio: fala mal dos outros por rodeios, usa de duplos sentidos e figuras de linguagem.
  2. Cantiga de maldizer: fala diretamente mal de alguém, usado – até – palavrões.

Prosa: as representações de prosa vinham através da escrita de novelas. Estas novelas se dividiram em três ciclos, o primeiro inspirado na antigüidade Greco-romana – ciclo clássico -, o segundo inspirado nas lendas da Bretanha – ciclo arturiano – e o terceiro inspirado nas histórias sobre Carlos magno – ciclo carolíngio -. Respectivamente os dois últimos ciclos eram conhecidos como novelas da cavalaria.

Humanismo

Parece ter se iniciado ao começo do século XV. Época literária marcada por uma transição entre a idéia teocêntrica e a idéia antropocêntrica. A partir deste ponto o saber parecia aumentar sua difusão, compensando o fato de na época anterior apenas os nobres e o clero terem conhecimento, este escondido pelo clero.

A literatura teve mais representação na prosa, onde inicia a “crônica histórica” – objetivo era narrar a história em ordem cronológica, quem mais representou isto foi Fernão Lopes, este que organizou tudo o já escrito e procurou organizar sua autenticidade -. Na poesia a musicalidade é removida e permanece como tema a “poesia palaciana” -  temas de amor – a estrutura torna-se mais firme, redondilhas virão padrão. Surge então a representação literária pelo teatro, marcada por Gil Vicente, divide-se em “mistério e milagre” – encenações ligadas á igreja -, “momo” – encenações mímicas -, “arremedilho” – sátiras curtas onde eram imitadas outras pessoas e ampliando seus aspectos ridículos e o “entremez” – uma encenação curta entre atos de uma peça -.

Grandes obras de crônica história foram as “Crônica de El-Rei D.Pedro”, “Crônicas de El-Rei D. Fernando” e “Crônicas de El-Rei D. João”, todas de Fernão Lopes. Grandes obras do teatro foram “Farsa de Inês pereira”, “Trilogia das barcas” e “Auto da Lusitânia”, todas de Gil Vicente.

Classicismo

O antropocentrismo é então fincado como fato. Já se está no século XVI, fim da idade média, inicio da Idade Moderna. O Renascimento impera na Europa.

Este período tem como marca o reviver da cultura Greco-romana e a busca pelo racional acima de tudo. A religião não é modificada, apenas a inspiração.

A representação em prosa quase não existiu, representada apenas pela novela “Menina e moça” que demonstra traços que serão vistos em próximas escolas literárias.

A representação em poesia tem como marca a epopéia (Ilíada e Odisséia foram epopéias gregas) e como maior difusor Luís de Camões (autor de Os lusíadas, a maior epopéia da época). Outros moldes poéticos foram: a ode – poema sentimental e de reflexões -, écloga – poema pastoril dialogado-, elegia – onde se lamenta morte de alguém -. Métrica marcada pelo verso decassílabo (chamada medida nova), e pelo surgimento dos sonetos.

Barroco

Século XII. Demonstra a retomada da religiosidade, de tal modo que esta se funde com o racionalismo. Tal período é marcado pelo dualismo e pelas oposições, características que permitiam a união entre razão e fé. Uma característica notada sob analise é a alta intensa presença das figuras de linguagem, dentre elas a inversão, antítese e paradoxo.

É buscada uma ligação de idéias e surge, a partir disto, diversos textos complexos e de difícil compreensão, estes que podem nada transmitir, afinal, a preocupação não parece ser com o conteúdo, mas sim com a forma. Tais fatores geram um vazio nesta escola literária, e que dá sementes a diversas críticas nos períodos posteriores.

Textos divididos entre cultismo e conceptismo. Sendo o cultismo a valorização de imagens poéticas, nas quais o texto se perde e cria-se um vazio de informações – recorre a antítese, inversão e metáfora. No conceptismo é intensificada a idéia principal e logo criada uma  rede de argumentos – recorre a parábolas  -.

Portugal: Definida basicamente pelas obras do Pe. Antônio Vieira, em especial os Sermões, considerado o autor das maiores Obras Primas do período. Escreve uma prosa religiosa, ao estilo conceptista.

Brasil: representado essencialmente pelas poesias de Gregório de Matos.  O barroco aqui assume possibilidade de falar da mulher, porém de maneira inconstante, ela pode ser desde o melhor ser da Terra, quanto o pior. Uma grande característica brasileira, é, no entanto, o nativismo, representado pelos nascidos no Brasil. Bento Teixeira, português, teve pouca representação, está apenas com Prosopopéia, que utiliza a forma de organização vista em “Os Lusíadas”. Gregório de Matos foi “o maior”, teve como principal representação suas sátiras e seu modo cultista de escrever, ele que trouxe poesia lírica que falasse das mulheres ao barroco e apesar de todo seu modo diferente de escrever barroco, também se utilizou de poesias religiosas. OBS: era conhecido como “boca do inferno”.

Arcadismo (neoclassicismo)

Surge nos séculos XVII e XVIII, tem como base a retomada da simplicidade, daí vem a idéia do nome da mitológica “Arcádia”, onde viviam pastores apreciadores de música e poesia. A simplicidade trás também características do classicismo, como a écloga (poema com características da natureza e diálogos) e a inspiração na mitologia Greco-romana. “Surge” então o sentimentalismo, que faz o arcadismo ser considerado pré-romântico, além, também, da adoção de expressões em latim (carpe diem, inutilia truncat, fugere urbem).

Portugal: incentivado pelo iluminismo surgem as primeiras idéias para o arcadismo. Bocage representa o arcadismo em suas primeiras obras, onde evoca musas, natureza e mitologia. Porém é notada uma transição de seu modo de escrever, devido a interferências notadas na sua biografia, o que acrescenta a sua obra traços pré-românticos,  como a tristeza, sentimentalismo, sofrimento e fuga a morte. Por fim é percebido em certos textos dele uma forma que lembra as antigas cantigas de escárnio do trovadorismo.

Brasil: Nota-se que tal período literário é representado em Minas Gerais, provavelmente devido às jazidas de ouro. Assumindo características mais próprias o arcadismo brasileiro começa a evocar a descrição da própria terra e dos indígenas. O pré-romantismo torna-se fato real neste período. Tomás Antônio Gonzaga teve representação tanto no arcadismo quanto na inconfidência mineira, tais fatores podem ser facilmente associados, sua escrita era simples, fato notado na poesia lírica “Marília de Dirceu” e sua representação mineira é notada na poesia satírica “Cartas Chilenas”. Claúdio Manuel da Costa une diversos fatores: figuras de linguagem do barroco, sonetos de Camões, contemplou o amor, tem como sujeito lírico um pastor. Santa Rita Durão tem como obra “Caramuru” um poema épico.

Romantismo em Portugal

Iniciado em 1825 após publicação no poema “Camões”, uma biografia romanceada. Nesta “época romântica” a Napoleão era fato e a família real chegava ao Brasil. Interessantemente que o romantismo leva a um “novo” padrão, agora tudo se baseia em um egocentrismo, algo como apenas um no centro de tudo. As emoções são mais valorizadas e tem-se grandes aspectos de subjetividade, idealização e maniqueísmo, tudo procurando levar à fuga da realidade, algo que bem condizia com a época, e após fugir da realidade era apenas um pequeno passo para fugir à morte. Tudo ligado ao tema do amor impossível, do amor distante. Estas fugas, evasões, retomam a religiosidade perdida (evasão pelo tempo), retomam a apreciação da natureza e suas paisagens (evasão pelo espaço) e retomam a morte (evasão da vida).

Ao invés de seguir padrões aos moldes do classicismo, os romancistas tentaram tornar tudo o mais livre possível. Assim permitiram as novelas, contos e romances saírem do formato padrão e assumir forma nova, forma sem necessidade de rimas, de versos. Os romancistas permitiram também a criação do drama no teatro, em contraposição à tragédia e à comédia.

Primeira Geração: ainda um pouco presa ao modo clássico de escrever (revivido pelo neoclassicismo) tentou dar os primeiros moldes ao romantismo português. Almeida Garrett e Alexandre Herculano foram os dois grandes representantes deste período. Tendo Garrett trazido o romantismo a Portugal com “Camões” (poema de versos decassílabos brancos, ou seja, sem rimas), tentado iniciar o drama com “Frei Luís de Sousa” e dando mais ares ao modo romântico de fazer prosa – “Viagens a minha terra” – e poesia – com “Folhas caídas” e “Flores sem fruto” -. Enquanto isto Alexandre Herculano baseia-se na idade média, tanto para criticar romanceadamente a igreja, quanto para reescrever diversas histórias antigas agora em tons mais românticos.

Segunda Geração: são os chamados ultra-românticos, parecem atingir o ideal procurado. Camilo Castelo Branco representa bem a prosa, ficaria difícil não fazê-lo depois de escrever incontáveis romances, em todos parece surgir duas grandes inspirações. A primeira é pelo amor impossível, o qual envolve os leitores em tal trama que os emociona, “Amor de Perdição”, “Amor de Salvação”, “Novelas do Minho” e outras podem representar bem isto. A segunda inspiração é em escrever história sem história, tendo como base muitas coisas inventivas ao invés de fatos reais.  Criou também novelas de mistério e terror, além das obras satíricas recheadas de risos e duplos sentidos. Na poesia, Soares de Passos foi o grande representante, trazendo a idéia do “mal do século”.

Terceira Geração: como sempre é na literatura, após um grande exagero há uma grande calmaria. Assim foi na terceira geração, após o ápice ultra-romântico tudo tomou tom mais moderado e menos dramático. A expressão na prosa é marcada por Júlio Dinis que dá ares de mais descrição ao ambiente e aos personagens, talvez sejam pequenos ares do realismo português. A poesia é definida por João de Deus, que realmente remodela as idéias, tirando a morbidez de seu antecessor e trazendo a tradicional poesia lírico-amorosa em tons românticos.

Romantismo no Brasil – Poesia

O que abre portas para o romantismo brasileiro é a vinda da família real ao Brasil e então sua independência. Apesar disso os ares românticos só chegaram aqui em 1836, ao se lançar “Suspiros poéticos e saudades”. O Romantismo brasileiro tomou rumos diferentes do romantismo português, assumindo tons de nacionalismo, algo muito lógico se analisada a época, esta foi a primeira escola literária realmente brasileira. E cresceu graças ao fim de antigas proibições da antiga metrópole.

A primeira geração foi a nacionalista, quebrava os moldes do clássico, tal como em Portugal, e dava ares brasileiros. Trouxe consigo ares indianistas. Gonçalves de Magalhães trouxe os ares do romantismo ao Brasil e auxiliou a formação do teatro, com a obra “Antônio José ou O poeta e a Inquisição”. Quem mais perdura é em verdade Gonçalves Dias representando, de maneira quase inesquecível, a nacionalidade com sua “Canção do Exílio”. Gonçalves Dias consolidou o que Gonçalves de Magalhães trouxe. “Os Gonçalves fizeram o romantismo nascer aqui”.

A segunda geração foi a dos ultra-românticos, aqui os temas eram a saudade do tempo, o amor impossível, os sentimentos na natureza, o tédio, melancolia e fuga para a morte. Tal período deve ter se originado com a noção de que, apesar de ter-se feito independência, continuamos sob domínio português, parece que a nacionalidade foi então atacada e isso se volta para o âmbito pessoal. Álvares de Azevedo é a pura representação do “lado mal”, o pessimismo é a sua obra, às vezes também completada com fugas a sonhos. Casimiro de Abreu da um tom mais suave, mas ainda assim ultra-romântico, ao representar a saudade do tempo, e a volta à harmonia e calmaria dos tempos de criança, os versos de Casimiro auxiliaram na difusão literária pelo Brasil, tal como no trovadorismo que tinham trovas de fácil memorização, ele tinha versos de fácil memorização e que logo eram levados a muitos.

A terceira geração teve um acompanhamento histórico forte, a busca pelo fim da escravidão, por isso os poetas da época são conhecidos como condoreiros, os desejosos pela abolição. O principal representante deste movimento é o, nunca esquecido, Castro Alves, autor de “O navio negreiro”, ele também consegue trazer uma nova face sob os poemas que envolviam as mulheres, ela agora passa a ser concreta e sensual, se aproxima do eu-lírico.

Algo a se lembrar é que os dois ultra-românticos morreram cedo, e que os poemas, nesta época, eram ainda mais declamados que lidos.

Romantismo no Brasil - Prosa

Diferente da poesia romântica, a prosa não teve uma boa “divisão temporal”, era comum os autores avançarem e recuarem nos temas, além de também conservarem misturas, era algo “confuso” de certo modo. Os romances em prosa foram a seqüência dos folhetins, tendo como características iniciais o final feliz ou a disseminação como novelas de “capítulos” semanais ou quinzenais. Existia, devido a busca pelo final feliz, a idealização personagens e instituições, tornando-as melhores, isso leva a uma linguagem bem artificial e idealizada. Três autores consagrados representaram bem a época: Joaquim Manuel de Macedo, José de Alencar e Manuel Antônio de Almeida.

Joaquim Manuel de Macedo foi o autor de “A moreninha” e procurou, em todos seus diversos romances, apenas entreter o público. Com uso de uma linguagem coloquial ele trás locais comuns e trás personagens comuns, porém, ao invés de seguir com a realidade ele torna as pessoas e locais idealizados, de tal modo que é possível notar o vilão e o bonzinho.

José de Alencar tem como principais obras “Senhora”, “Iracema” e “O Guarani”, apesar de ter diversas outras. Representa um caráter completamente nacionalista em suas obras, trazendo romances caracterizados como indianistas (Iracema, O Guarani,...) onde há a evasão pelo tempo. Representa também um caráter histórico que procura ser fiel aos fatos, porém é ainda assim romantizado,  algumas obras são “A Guerra dos mascates” e “As minas de prata”. Existem também seus romances regionais que procuravam fundamentar a idéia de Brasil, como “O gaúcho” e “O sertanejo”. Por fim ele trouxe romances urbanos, que descreveriam romanticamente o cotidiano das pessoas, aqui é notado “Senhora” e “A pata da Gazela”, o que mais caracteriza as “obras urbanas” é a descrição da figura feminina.

Manuel Antônio de Almeida põe em sua obra (Memórias de um sargento de milícias) toda uma crítica a uma antiga sociedade portuguesa – de antes da independência – a qual deixaria tudo dividido em dois mundos, o mundo de regras (português e cristão) e o mundo da bagunça (representado por mulatos, mestiços e homens livres pobres). O personagem principal é, por muito, considerado até um anti-héroi.

Teatro Romântico: As representações teatrais no Brasil eram bem reduzidas e quando existiam eram meras traduções do teatro europeu. A primeira representação de teatro nacional vem com Martins Pena, ele trás comédias e dramas brasileiros a público. Martins Pena se baseia em idealizações burguesas como o final feliz e a punição aos maus. As tramas têm como inspiração o cotidiano burguês, coisas do dia a dia romanceadas.

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