Virtuoso é quem tem virtude

O Lixo e a Sociedade

   lixo é um lixo, no sentido real das palavras, e não estou nem um pouco a fim de elogiar o lixo ou de considerá-lo menos lixo ou mais lixo. Ainda assim, analise-mos o lixo e seu problema como um fator social. Vamos olhá-lo com outros olhos, não com os olhos de quem pensa nos problemas do lixo, mas com os olhos de quem analisa a sociedade do lixo.

   lixo apresenta uma instituição social, um regimento de regras e concessões que diz cuidar dele e resolve-lo, temos um departamento no município, no estado e no país que deve (ou deveria) cuidar disso. Estes departamentos e suas regras formam as instituições ‘lixais’, ou melhor, as instituições do lixo. Não há muito o que explicar sobre estas instituições sociais, afinal, seguem o mesmo padrão de instituições sociais: não dependem diretamente de pessoas, funciona por meio de regras que a sustentam, ...

   Então vemos o lixo como um fator institucional, algo envolto de regras, porém há também seu lado ligado ao grupo social, às pessoas. Esta é a origem do problema do lixo, não a instituição muitas vezes culpada por não resolver, mas a população, que não deseja se culpa pela culpa que tem de criar os problemas. O grupo do lixo é um grupo social comum, porém, ao invés de ter pessoas em busca de um interesse comum, tem pessoas envoltas de uma culpa comum, a culpa de sujar o meio ambiente, o seu habitat. Esse grupo envolve desde os pedestres que jogam um papel no chão, até uma pessoa n’um Mercedes que lança um palito de picolé pela rua.

   Por fim, mas ainda tão importante e analisável quanto os outros, existe a mobilidade social pela questão do lixo. Inicialmente é difícil conceber tal fator, porém, ao pensarmos um pouco mais, vemos que é algo que já se apresenta em nosso cotidiano. O lixo começa a se tornar um fator de mudanças sociais, começa a se tornar não apenas um caso geográfico, biológico, químico ou histórico excluso, mas um fator social que permite estudo. A ‘engenharia do lixo’ é hoje algo possível, sabemos bem que parte do lixo pode deixar de ser lixo para ser material reciclável, também sabemos que o lixo orgânico pode se tornar adubo da melhor qualidade, e sabemos ainda mais que do lixo que restar pode ser gerado gás ou combustível para mover indústrias termelétricas.

   Não posso descrever todos os pormenores do lixo no mundo social, porém, o aqui apresentado já deve ser suficiente para nos abrir a mente para o lixo, não o lixo que incomoda, mas o lixo rentável. Podem até chamá-lo de ‘novo lixo’ caso desejem assim.

Erich Cavalcanti

OBS.: A repetição constante da palavra "lixo", que concerteza fez muitas pessoas odiarem o que escrevi, é apenas um recurso estilistico para mostrar o excesso de palavras desnecessárias no texto, ou seja, que muito destes "lixo" poderiam, muito bem, ter ido para o lixo.

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