Virtuoso é quem tem virtude

Quincas Borba

Erich Cavalcanti

2005 ou 2006

O texto que segue foi originalmente utilizado para ser lido, ou seja, é o "discurso" que seria feito. Na hora eu não segui muito o que escrevi... mas tudo bem.

 

 Apresentação do Trabalho 

 Irei agora, caros ouvintes, começar a análise do livro literário ‘Quincas Borba’ escrito por Machado de Assis, um grande escritor cuja história e trabalhos de vida resumirei, assim como o livro que ele escrevera e eu analisei para mostrar-lhes.

 O livro que analisarei a segui foi publicado em 1891, anos depois do lançamento de ‘Memórias Póstumas de Brás Cubas’, cujo filme tive o prazer de assistir, e anos antes do lançamento de ‘Dom Casmurro’, que li também.

 Bem, acho que tens pressa, iniciemos ‘Quincas Borba’. 

 O título ‘Quincas Borba’ 

 No inicio do livro podemos perceber um personagem rico e filosofo, muito amigo do personagem principal cujo nome é Rubião. Este filosofo, Quincas Borba, estava a beira da morte, falando suas filosofias que Rubião não conseguia compreender. Quincas Borba filosofava no humanismo e sabia que a morte chegava-lhe, então colocou em seu cachorro o nome Quincas Borba, para após a sua morte, continuar imortalizado, imortalizado no cachorro.

 Deves ter achado estranho por que relatei um pouco sobre Quincas Borba, eu mesmo acharia, mas agora iras me agradecer (de nada.) pois tentarei explicar o título do livro.

 O título tem estranhamente o nome de Quincas Borba, o filosofo e o cão, é estranho não ter o nome do personagem principal como em outros romances, mas em parte o título usa o nome do primeiro e do ultimo morto, o filosofo morre ao inicio e o cão morre ao fim, isso cria um elo como se fossem eles que guiassem a história, até ai tudo bem.

 Mas o Quincas Borba do título se refere ao filosofo ou ao cão? Durante o livro nosso caro Rubião se confunde várias vezes ao olhar para o cachorro, como no capítulo XLIX (quarenta e nove para leigos da língua romana), que mostro abaixo:

 “O cão olhava para ele, de tal jeito que parecia estar ali dentro o próprio e defunto Quincas Borba; era o mesmo olhar meditativo do filósofo, quando examinava negócios humanos”

 A parte que retirei não é tão expressiva, mas pode-se ver que até o autor quer nos confundir quando tentamos achar a qual dos Quincas Borba o título se refere. No capítulo CCI(duzentos e um) o autor escreve:

 “Mas, vendo a morte do cão narrada em capítulo especial, é provável que me perguntes se ele, se o seu defunto homônimo é que dá o título ao livro, e por que antes um que o outro”

 O que quero dizer com tudo isso acima é que o autor não dirige o título a um nem a outro, mas sim ao elo natural que liga os dois, ele quer com o título realçar a teoria onde humanos e animais não tem um espaço diferente, por isso tanto contato com um cachorro. 

 Um pequeno resumo 

 No inicio Rubião é uma pessoa comum, amigo de Quincas Borba e que fica muito próximo dele durante a doença. Quincas Borba sai em viagem e Rubião fica de cuidar do cachorro de mesmo nome do dono, mas Quincas Borba, o filosofo morre e deixa todo seu dinheiro, sem desviar nada para ninguém, ao Rubião. A única coisa exigida no testamento é que se cuide corretamente do cachorro.

 Rubião, agora rico, pega um trem e se muda para o Rio de Janeiro. Durante a viagem ele conhece Palha e Sofia, mulher do Palha, e se encanta com Sofia. No Rio de Janeiro Rubião virou sócio de Palha e sempre se dispôs a emprestar-lhe dinheiro para os negócios, além de comprar muitas jóias para Sofia, por quem guardava um amor secreto. Os lazeres de Rubião no seu novo meio eram os almoços e jantares acompanhados por visitas, ou simplesmente as visitas às peças de orquestra e teatro.

 Ocorreu uma festa na casa do Palha após um tempo, onde Rubião conheceu o Major Siqueira e sua filha D. Tônica, que nunca arranjara um marido, além é claro de conhecer algumas outras pessoas da amizade do Palha. Durante a festa Rubião trocou olhares com Sofia, durante a observação de D. Tônica e depois levou Sofia para o jardim onde lhe fez declarações e foi interrompido pelo Major Siqueira. Devo lembrar que Sofia nuca foi interessada em Rubião, mas não podia tomar grandes atitudes já que o marido não queria perder a amizade. Outro detalhe é que Rubião se arrependeu do que fez e ficou durante um tempo afastado.

 Mas as coisas continuaram a andar, Dr. Camacho entrou no convívio de Rubião e de Palha, e planejava colocar Rubião na política, pois tinha muita influencia no ramo e via Rubião com uma grande chance. As relações de Palha começavam a ser de gente de alto nível, pessoas de banco e governo, e a prima de Sofia, Maria Benedita, ficou com ela na cidade para aprender francês e piano.

 Maria Benedita era do interior e sua mãe, tia de Sofia, não queria que ela se casasse para não perder a filha. Quando a mãe morreu Sofia procurava um marido para Maria Benedita, pensou de inicio no Rubião, mas não conseguiu contar a Maria Benedita.

 Vários amigos de Rubião apontaram a ele que ele precisava se casar, isso iria tranqüiliza-lo, Rubião achou a idéia interessante e imaginava a noiva, que podia começar de qualquer forma, mas sempre terminava com o rosto de Sofia.

 Em uma nova visita a casa de Palha, Rubião soube que Maria Benedita iria em breve se casar com Carlos Maria, um antigo amigo seu. Eles foram unidos por D. Fernanda, prima de Carlos Maria e casada com Teófilo, um homem de política.

 Palha deixou de ser sócio do Rubião, dizendo que ia tomar um novo ramo, na verdade ele estava era vendo uma oportunidade de negócio que em muito o ajudaria e com Rubião como sócio além de ter de dividir o lucro, Rubião iria gastar de mais, como já fazia e destruía a própria riqueza.

 Palha havia jogado fora das relações o Major Siqueira, a quem tanto gostava, isso por que sua classe aumentava, e agora estava a desprezar os antigos companheiros, a quem considerava pobres.

 Rubião fez um novo corte de bigodes e barbas, onde tomou um rosto igual ao de Napoleão III, e neste tempo já tinha um grande número de ‘discípulos’ que lhe ouviam falar durante todo o almoço, eram visitas intimas e rotineiras. Rubião começava agora a ter delírios.

 O primeiro grande ato de delírio foi quando entrou no coupé de Sofia (carro conversível da época). Ela pediu para ele mandar parar o carro, não fez nada e foi a acompanhando na viagem, onde começava a delirar e falar amorosamente como se fossem amantes. Sofia se livrou dele durante a viagem.

 Rubião estava a enlouquecer e se ver como o Napoleão III, ele se achava o poderoso imperador, precisava ser tratado. D.Fernanda e Sofia insistiram para o Palha ajudar p Rubião, que passou com o seu cachorro para uma casa menor e devido aos delírios, foi transferido para internação.

 Ele se recuperava na internação, e faltava pouco tempo para ficar completamente curado, mas fugiu com Quincas Borba para Barbacena, a sua cidade natal, e lá tem seu últimos delírios, morre por lá.

 Quincas Borba morre umas três semanas depois de Rubião, nas ruas de Barbacena. 

 A idéia 

 Como pode ver no resumo, este livro trata da vida de Rubião, não intensifiquei muito, mas a trajetória de Rubião mostra a saída dele de Barbacena para a vida de rico após a morte de Quincas Borba o filosofo, e a chegada quando a lucidez e o dinheiro já se foram, marcada com a morte de Rubião e do outro Quincas Borba, o cão.

 A vida de Rubião é por mim considerada sem grandes rumos, pois ele desfrutou de algo que não sabia controlar, até se consumir por completo. O que o livro também mostra em sua história são as grandes decisões e indecisões durante a paixão de Rubião e outros personagens. A vida política surge neste livro sem existir sucesso por parte de Rubião.

 Diria que o livro mostra a história de um homem que recebeu tudo de um amigo e que durante o livro destrói o dinheiro e sua vida, para no fim morrer louco. 

 Idéias Comparativas 

 Este livro se liga muito a coisas existentes em Memórias Póstumas de Brás Cubas. Em Quincas Borba o personagem principal, assim como em Memórias Póstumas de Brás Cubas, não conseguiu nada da vida, morreu de doença, se apaixonou por uma mulher que não deveria e não conseguiu vencer na política, simplesmente considero que nestes dois livros Machado de Assis parecia achar que tudo da errado no fim, ou desejava mostrar a tragédia humana. Mas outro fato liga os dois livros, aparece em Memórias Póstumas de Brás Cubas um antigo amigo conhecido como Quincas Borba, ele morreu falando sobre teorias humanitas, no livro Quincas Borba é como se continuasse a história do Borba, ele delirava, viajou (com certeza para encontrar Cubas) e morreu, começado assim a história do livro e a trajetória de Rubião.

 Algo interessante é que nos três principais livros de Machado de Assis (considero-os) ocorreram amores e problemas. Memórias Póstumas de Brás Cubas Quincas Borba mostram um paixão que não deveria ocorrer, no primeiro a mulher corresponde, no segundo ela não quer nem saber do personagem. O terceiro livro, Dom Casmurro, o amor não é ilegal, é comprometido. O mais interessante é que o personagem principal sempre se da mal. 

 O estilo do livro 

 Machado de Assis escreveu este livro com capítulos sem títulos, apenas com os números do capitulo, algo que ele fala no capítulo CXII (cento e doze):

 “Aqui é que eu quisera ter dado a este livro o método de tantos outro, - velhos todos, - em que a matéria do capítulo era posta no sumário: “De como aconteceu isto assim, e mais assim”. Aí está Bernardim Ribeiro; aí estão outros livros gloriosos”

 Queria apenas mostrar que ele não coloca nome nos capítulos, mas encontrei no trecho acima citações de outros autores, coisa que aparece em grandes partes do livro. Outro detalhe que pode ser muito notado é a interferência do autor durante a história, como no fim do capítulo III:

 “Deixemos Rubião na sala de Botafogo, batendo com as borlas do Chambre nos joelhos, e cuidando na bela Sofia. Vem comigo, leitor; vamos vê-lo, meses antes, à cabeceira do Quincas Borba”

 Um estilo interessante de escrever, de interagir com quem esta lendo, isso ele faz para seguir com o romance, mas em certas partes simplesmente para um pouco a história principal para dar uma explicação, como no capítulo LIII:

 “Perdoem-lhe esse riso. Bem sei que o desassossego, a noite mal passada, o terror da opinião, tudo contrasta com esse rios inoportuno. Mas, leitora amada, talvez a senhora nunca visse cair um carteiro.”

 Além deste trecho acima, o capítulo CXIV mostra um aspecto novo, um capítulo inteiro, apenas para um mínimo comentário:

 “Ao contrário, não sei se o capítulo que se segue, poderia estar todo no título.”

 Por fim concluo que Machado de Assis coloca neste livro um estilo interessante, criado para interagir com o leitor, e não só interagi-lo com o romance. 

 O Autor 

 Machado de Assis nasceu em 1839 no Rio de Janeiro. De 1855 até 1867 ele trabalha em jornais como o Dirário do Rio de Janeiro e o Correio Mercantil, contribuindo as vezes com poemas, versos e crônicas . Durante 1861 até 1863 ele trabalha mais é com o teatro, sendo algumas de suas obras: Queda que as Mulheres têm para os tolos; Quase Ministro e Hoje Avental.

 Em 1867 se torna ajudante do editor de publicação do Diário Oficial, e dois anos depois se casa com Carolina Augusta Xavier de Novais.

 Ele começou a escrever romance em 1871, publicando Ressurreição neste ano, A mão e a luva em 1874, Helena em 1876, Iaiá Garcia em 1878.

 Em 1878 muda-se devido a doença para Friburgo no Rio de Janeiro.

 A primeira de suas grandes obras é iniciada em 1880, quando vira oficial de gabinete na Secretaria da Agricultura, e publicada em 1881, Memórias Póstumas de Brás Cubas, apenas dez anos depois ele publica Quincas Borba(1891), Dom Casmurro é publicado em 1899.

 A morte de Machado de Assis ocorre em 1908, mesmo ano em que publica o seu ultimo romance Memorial de Aires.

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