Virtuoso é quem tem virtude

Semana da Arte Moderna

Terça-feira, 8 de março de 2005.

Erich Cavalcanti. 

A Semana da Arte Moderna 

 

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 A Semana da Arte Moderna no Brasil aconteceu em fevereiro de 1922 no teatro municipal da cidade de São Paulo. Críticos dizem que a partir dela que o Brasil iniciou a modernização, na verdade os modernistas brasileiros começaram anos antes querendo impor sua arte, mas sendo rebaixados pelos tradicionalistas existentes.  

 O que foi a semana? 

 A semana da arte moderna foi a explosão principal da chegada a arte moderna no Brasil, onde o modernismo inspirado no estilo europeu começou a se mostrar. O modernismo queria que todas as artes passassem a se inspirar em fatos do cotidiano, assim como estavam fazendo na Europa.

 Então a semana foi um meio de divulgar para o povo todas as idéias modernistas, por que para falarem mal da arte moderna deveriam entendê-la, e isso convenceria que a arte moderna era uma boa idéia. 

 Quando foi a semana? 

 A semana da arte moderna aconteceu no teatro municipal de São Paulo em fevereiro de 1922. Enquanto o museu exibia dos dias 11 a 18 obras modernistas, apenas em algumas noites eram feitas as palestras, leituras e apresentações. Isso nos dias 13, 15 e 17, parecia estranho não ter sido dias consecutivos, mas tinha um motivo, os modernistas queriam ver a reação do povo e da mídia nos jornais dos dias seguintes, e conseguiram ver que os tradicionais não queriam deixar de ser tradicionais, por isso diziam que o modernismo não prestava. 

 Características da semana 

 A semana da arte moderna não foi feita oficialmente por nenhum dos que participaram das apresentações. Muitos modernistas já sabiam que seriam vaiados e odiados no momento em que apresentavam suas opiniões dobre a modernização.

 No primeiro dia os modernistas introduziram suas idéias com um pouco de tudo: musicais, palestras e outros.

 Já na segunda noite os modernistas pareciam até querer fazer confusão quando começaram a colocar palestras em primeiro plano. Como nas palestras os palestrantes falavam muito sobre a mudança do tradicional para o moderno – com todo respeito possível, já que na época dos antigos eles eram os modernos – a mídia ficou meio irritada e falou mal da semana da arte moderna.

 Na terceira noite eles moderaram e colocaram musicais e coisas mais leves, para não dar os mesmos escândalos da segunda noite. 

 Artistas da semana. 

 O catálogo oficial da Semana mostra que os participantes são:  
Pintura - Anita Malfatti, Ferrignac, J. F. de Almeida Prado, John Graz, Martins Ribeiro, Vicente do Rego Monteiro, Zina Aita, Di Cavalcanti, Oswaldo Goeldi e Regina Graz 
Escultura - Vítor Brecheret, Hildegardo Leão Veloso e W. Haarberg  
Arquitetura - Antônio Moya e Georg Przyrembel

 Palestrantes – Garça Aranha, Ronald Carvalho, Del Picchia, Renato Almeida.

 É claro que nem todos os artistas estavam na lista.

PROGRAMA DO PRIMEIRO FESTIVAL 
Segunda - feira, 13 de fevereiro
1ª PARTE
  • Conferência de Graça Aranha: "A emoção estética na arte moderna", ilustrada com música executada por Ernani Braga e poesia de Guilherme de Almeida e Ronald de Carvalho.
  • Música de câmara: Villa-Lobos, Sonata II para violoncelo e piano (1916), com Alfredo Gomes e Lucília Villa-Lobos; Trio Segundo para violino, violoncelo e piano (1916), com Paulina d'Ambrósio, Alfredo Gomes e Fructuoso de Lima Vianna.

2ª PARTE

  • Conferência de Ronald de Carvalho: "A pintura e a escultura moderna no Brasil".
  • Solos de piano por Ernani Braga: "Valsa Mística" (1917, da Simples Coletânea); "Rodante" (da Simples Coletânea); A fiandeira.
  • Octeto (Três danças africanas): "Farrapos" (1914, "Danças dos moços"); "Kankukus" (1915, "Danças dos velhos"); "Kankikis" (1916, "Danças dos meninos").  
    Violinos: Paulina d'Ambrosio, George Marinuzzi.  
    Alto: Orlando Frederico.  
    Violoncelos: Alfredo Gomes; baixo: Alfredo Corazza. Flauta: Pedro Vieira; clarinete: Antão Soares. Piano: Fructuoso de Lima Vianna.
PROGRAMA DO SEGUNDO FESTIVAL 
Quarta - feira, 15 de fevereiro
1ª PARTE
  • Palestra de Minotti del Picchia, ilustrada com poesias e trechos de prosa por Oswald de Andrade, Luiz Aranha, Sérgio Milliet, Tácito de Almeida, Ribeiro Couto, Mário de Andrade, Plínio Salgado, Agenor Barbosa e dança pela senhorita Yvonne Daumerie.
  • Solos de piano por Guiomar Novaes:
    1. Blanchet: Au jardin du vieux Sérail.
    2. Villa-Lobos: O ginete do pierrozinho.
    3. Debussy: La soirée dans Grenade.
    4. Debussy: Minstrels.

INTERVALO

  • Palestra de Mário de Andrade de Andrade no saguão do Teatro

2ª PARTE

  • Conferência de Ronald de Carvalho: "A pintura e a escultura moderna no Brasil".
  • Palestra de Renato Almeida:"Perennis poesia".
  • Canto e piano por Frederico Nascimento Filho e Lucília Villa-Lobos: Festim Pagão(1919); Solidão (1920); Cascavel (1917).
  • Quarteto terceiro (cordas, 1916).  
    Violinos: Paulina d'Ambrosio, George Marinuzzi.  
    Alto: Orlando Frederico.  
    Violoncelos: Alfredo Gomes.
PROGRAMA DO TERCEIRO FESTIVAL 
Sexta - feira, 17 de fevereiro
1ª PARTE
  • Villa-Lobos:Trio Terceiro para violino, violoncelo e piano (1918), com Paulina d'Ambrosio, Alfredo Gomes e Lucília Villa-Lobos.
  • Canto e piano por Maria Emma e Lucília Villa-Lobos.
  • Historietas, de Ronald de Carvalho (1920): "Lune d'octobre"; "Voilà la vie"; "Jouis dans retard, car vite s'sécoule la vie".
  • Sonata II para violino e piano (1914), com Paulina d'Ambrosio e Fructuoso de Lima Vianna.

2ª PARTE

  • Solos de piano por Ernani Braga: "Camponesa cantadeira" (1916, da Suíte floral); "Num berço encantado" (1919, da Simples Coletânea); Dança infernal (1920).
  • Quarteto Simbólico (expressões da vida mundana): flauta, saxofone, celesta e harpa ou piano com vozes femininas em coro oculto (1921), com Pedro Vieira, Antão Soares, Ernani Braga e Fructuoso de Lima Vianna.

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