Virtuoso é quem tem virtude

Teorias Evolucionistas: Lamarck e Darwin

Erich Cavalcanti

27/05/2008

 

Dedico este trabalho às pessoas abertas a novas idéias

e àquelas que assim pretendem estar.

Agradeço ao meu professor de biologia

pela oportunidade de escrever essas idéias.

Agradeço aos meus companheiros de debate

que me dão base para tal tema.

 

 
 
 
 
 
 
 
 

Não busco apenas escrever aqui

aquilo que todos dizem.

Busco escrever o que dizem e

transmitir as minhas idéias e opiniões sobre o assunto referido. 
 

Sumário

1. INTRODUÇÃO

2. LAMARCK

    2.1 Introdução

    2.2 Lamarckismo

        2.2.A Lei do uso e desuso

        2.2.B.Teoria da hereditariedade de características

    2.3 Falhas na teoria

3. DARWIN

    3.1 Introdução

    3.2 Darwinismo

        3.2.A. Evolução das Espécies

        3.2.B. Seleção Natural

    3.3 Acertos na teoria

    3.4 Interpretações errôneas

4. CONCLUSÃO

5. REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS

 

 

  1. INTRODUÇÃO

 
 

    As teorias evolutivas não eram bem vistas antigamente. Já existiam entusiastas, mas nenhum deles tinha base suficiente para formular teorias pelo menos um pouco concretas; a idéia dominante era, na verdade, a da imutabilidade.

    A imutabilidade acreditava que tudo sempre foi da maneira que é. Ou seja, não havia evolução e nem motivo para evoluir. Essa teoria era complementada pelo catastrofismo, que via como único agente modificador da natureza as catástrofes divinas. Ambas idéias estavam presentes no dia-a-dia, não eram apenas para entender as espécimes, mas para determinar a vida das pessoas. Deve-se analisar que quando dizemos que a vida não muda, obrigamos as pessoas a se acomodarem, quando dizemos que as únicas mudanças são feitas por Deus, estamos impondo o temor a uma divindade ao povo.

    Essa técnica deu certo por um longo período. As teorias evolucionistas surgem no momento em que a sociedade está mudando e procurando por coisas que a desvinculem o máximo da antiga “prisão religiosa”

 

 

  1. LAMARCK

 
 

    1. Introdução

 

        Jean Baptiste Pierre Antoine de Monet, Chevalier de Lamark. Sua batalha no campo da teoria evolucionista parece se relacionar com sua batalha contra a pobreza. Notamos que em nenhum dos dois ele conseguiu exímio resultado para si, apenas deixou marcas para as próximas gerações.

        Nasce em 1º de agosto de 1744 em uma família tradicional de militares, sendo o caçula de 11 irmãos. Tornou-se reconhecido em 1778 com a publicação do livro “Plantas da França”. Depois, no “Museu Nacional de História Natural”, torna-se o responsável pela área de invertebrados, categoria biológica pouco explorada na época e a qual Lamarck desenvolveu, gerando até a diferenciação de CrustaceaArachinidaAnnelida e Insecta.

        Com o lançamento de suas teorias evolucionistas começou a ser imensamente criticado pelos cientistas da época – totalmente relacionados com idéias religiosas -. Isso o fez aos poucos ir “sumindo”, por volta de 1818 ele começou a perder a visão, em 1829 ele morreu pobre e em um cemitério alugado.

        Sua teoria, devido às faltas de comprovações e aprimoramentos, serviu apenas como base para próximas teorias e preparação de terreno para aceitação de outras teorias evolucionistas. Este é apenas um dos cientistas de séculos passados que morreram sem ser reconhecido o seu valor. 

    1. Lamarckismo

 

         Lamarck parece ter sido muito mal interpretado. Sempre que o citam mostram primeiro suas falhas, o que faz muitos estudantes não se importarem com seus estudos.

         Para estudar a teoria de alguém devemos ter como base de que ela nunca estará totalmente correta, às vezes por impossibilidade de estar correta naqueles tempos ou até por real falha do autor. As teorias Lamarckianas parecem se encaixar na primeira idéia – impossibilidade de estar correto completamente devido ao período -. Sem mais delongas nessa análise, será descrito agora a essência das teorias lamarckianas.

         Ele busca descobrir duas coisas: o motivo da evolução e como ocorre a evolução. Estes objetivos geram um pensamento completamente inverso ao da imutabilidade – gerado pela religião e discutido brevemente no tópico 1.INTRODUÇÃO -.

         A imutabilidade acreditava que as coisas não evoluíam e gerava a idéia de uma sociedade estável, imutável e medieval. O lamarckismo acreditava na evolução das coisas em busca da perfeição, dando então, além da possibilidade de mudança social, um motivo para a existência.

         A imutabilidade via Deus como único agente transformador; o lamarckismo via como agente transformador a própria natureza e sua relação com os animais. Existe então uma independência do ser.

         Os dois parágrafos acima associam a teoria da evolução – que não é só biológica como também histórica – ao momento histórico da época: transição de sistemas e modificação de valores – o que não pode ser deixado de lado ao se realizar uma análise. Devido a esses dois fatores o lamarckismo é visto como antítese da imutabilidade – que seria a tese da época - e tem uma importância histórica para a contestação dos axiomas definidos pela religião.

         A evolução descrita pelo lamarckismo é comumente dividida em lei do uso e desuso e teoria da hereditariedade de características.

2.2.A Lei do uso e desuso
 

         Parte do principio que o animal se ajusta para resolver um problema e daí vem a evolução. Esse principio demonstra que os seres, a partir de sua relação com o ambiente, se adaptam e evoluem para vencer os desafios propostos pela natureza e tornarem-se melhores.

         A idéia de “uso e desuso” vem dos exemplos que Lamarck utilizou. Ao analisar uma evolução biológica temos realmente a notação de que características surgem e características “somem”, segundo Lamarck isso ocorria devido à necessidade ou não de utilizar uma função e logo um órgão. A necessidade de uso desenvolveria a característica externamente enquanto o desuso de certas funções atrofiaria os órgãos responsáveis. Assim pensou, pois não tinha conhecimento das características internas – informações genéticas -.

         Para melhor entendimento, vale a pena utilizar da idéia de que a lei do uso e desuso nada mais é do que a “resposta após a pergunta”, ou seja, uma resposta do organismo – no caso a adaptação e logo evolução – após a pergunta realizada pela natureza – geração de certo desafio –. Lamarck parece ter desenvolvido sua teoria com base nessa essência. 

 

2.2.B.Teoria da hereditariedade de características
 

        Os estudos deste cientista o fez perceber que, para ocorrer uma evolução real, as características que uma geração adquiriu para garantir a sua sobrevivência deveriam passar para a próxima geração, caso contrário, isso implicaria em um retardo evolutivo.

        Quem o analisa hoje em dia pensa o seguinte: como um cientista que estudava o evolucionismo e percebe uma hereditariedade de características pode definir essa hereditariedade sem ter conhecimento genético? A resposta é simples: errando. Lamarck tentou acertar, utilizou como idéia o fundamento de que as características externas – as únicas as quais ele sabia existir – seriam passadas de geração a geração lentamente. Porém, ficou só na teoria e não utilizou de provas empíricas. Ainda assim, a essência que ele gera nessa teoria: ‘de que as características adquiridas por um animal e que o auxiliaram na sobrevivência manter-se-ão nas suas gerações para prolongar a existência das espécies’, permaneceu presente no cenário das teorias evolucionistas.

 

 

    1. Falhas na teoria

 

        O Lamarckismo foi uma grande teoria, apenas não conseguiu manter-se no cenário cientifico devido à falta de provas empíricas às idéias que apresentou.

        A maior falha nas teorias lamarckianas é considerar como se todos os fatores fossem externos, desconhecendo e ignorando as possibilidades de informações serem transmitidas geneticamente.

        A partir do momento que ele considera hereditariedade fruto do que hoje chamamos fenótipo surge todo seu erro. Afinal, o fenótipo nada mais é que a imagem do genótipo junto a alterações externas, e o que passa de geração em geração nada mais é do que a informação genética. Logo, não existe relação entre o que ele utilizou como base: características do corpo passando às gerações.

        Caso Lamarck conhecesse as idéias de Mendel, suas teorias seriam bem diferentes.

 

 

  1. DARWIN

 
 

    1. Introdução

 

    Charles Robert Darwin, nascido em 1809. Neto do médico - filósofo Erasmus Darwin o qual em 1795 publicou obra sobre algumas idéias evolucionistas.

    Charles Darwin dedicou-se ao estudo da botânica, zoologia e geologia. Exatamente em uma época onde tudo estava se desenvolvendo. Em 1831 partiu a bordo do Beagle junto a outros cientistas – entre eles Richard Francis Burton -. Tomou conhecimento de diversos estudos que se faziam na época e teve apoio de um bom grupo de cientistas, que se tornariam admiradores seus, dente eles estava Joseph Hooker, Alfred Russel Wallace, Henry Walter Bates, Fritz Müller e Thomas Henry Huxley.

    Publicou o livro “A origem das espécies” em 1859 e mudou os rumos da ciência da época graças a suas idéias.  

    1. Darwinismo

 

    Criado por Darwin com base na sua viagem de cinco anos a bordo do Beagle. O darwinismo é a análise das informações catalogadas durante o longo percurso. O objetivo real do cientista parecia ser apenas catalogar as espécies existentes em diversos pontos do planeta, e que existem apenas naquele ponto, então ele nota semelhanças entre as espécies estudadas e chega à teoria de que cada grupo de animais tem seu ancestral comum.

    Por não querer teorizar as coisas do nada, Darwin foi adotando princípios de outros pesquisadores para formular suas idéias, o que a fez ser mais facilmente aceita pelo meio cientifico.

    Alguns a analisam como sendo uma terceira opção na história, houve a tese e a antítese – imutabilidade e lamarckismo – o darwinismo seria a síntese, algo que pode ser facilmente aceito, que não procura descobrir o motivo da evolução – pondo-o como algo casual e desligando as teorias cientifica das religiosas, agora um cada um cuidava de um pedaço das coisas -, e que apenas cataloga algumas seqüências de fatos sem precisar pensar o como realmente as coisas ocorrem.

    O Darwinismo pode ser dividido em duas partes: evolução das espécies e seleção natural.

3.2.A. Evolução das Espécies
 

    Durante sua viagem no Beagle, Darwin passou pelo Brasil, pela patagônia, Austrália e diversos arquipélagos. O cadastro dos animais permitiu-o notar que em cada região do mundo existiam animais preparados para sobreviver ali. Notou também que o mais diferente que fossem algumas espécies havia semelhanças importantes as quais demonstravam que remetendo a um longínquo passado teriam provindo do mesmo animal.

 

 

3.2.B. Seleção Natural
 

    Trata de como as espécies evoluem, ‘seria’ então a explicação para tudo.

    A seleção natural é baseada em diversos estudos da época, entre eles o de Malthus, o qual descreve o crescimento populacional em progressão geométrica e o de alimentos em progressão aritmética. A partir dessa teorização Darwin percebe que quando se tem grande quantidade de animais eles irão competir pela comida, pela água e pelo espaço, o que fará apenas os mais preparados para esta “seleção” sobreviverem.

    Darwin une vários fatores e analisa o que deveria existir ou não para “ir ocorrendo” a seleção natural. A primeira idéia é de que a população aumenta, a segunda idéia é que ela se relaciona com o meio e, logicamente, com os outros animais presentes nesse meio. Temos então a caracterização do relacionamento entre as espécies e das dificuldades apresentadas pelo terreno. Quanto ao relacionar com outros animais temos: relação predador/presa, parasitismo, cooperativismo, competição (território, alimento, fêmea). Quanto ao relacionar com terreno temos: disponibilidade de alimento, mudanças climáticas, períodos de seca, movimentação de placas tectônicas e a então separação de uma mesma espécie pelo espaço – ocorrendo então diferenciações com o passar do tempo -. Um fator também mostrado como importante é o tempo de vida da espécie em questão, pois – logicamente – quanto mais tempo viver, mais poderá reproduzir.

    A partir das análises acima demonstradas Darwin realizou uma ‘regra geral’ tal onde todas as espécies – quando em situação favorável – tendem a crescer mais do que o ambiente comporta, gerando um período onde a competição torna-se naturalmente necessária, durante essa competição já existirá grande variabilidade dentro de uma mesma espécie, após essa competição apenas os mais aptos da espécie sobreviveram e ai estaria proposta a seleção natural. 

    Sintetizo a seleção natural como “a resposta antes da pergunta”. Isso, pois, segundo Darwin várias espécies diferentes já existiam, ou seja, uma pluralidade criada aleatoriamente, e quando surgia um desafio algumas permaneciam outras não. Essa teoria demonstra que a solução para cada desafio já deveria existir antes dele existir.

    A característica do sobrevivente é então passada geneticamente e essa espécie se mantém.

    O que explica a criação de novos espécimes - para Darwin – é exatamente a aleatoriedade nas combinações genéticas e a mutabilidade que possa ocorrer em um indivíduo.

    A variabilidade genética ocorreria, segundo os teóricos e o próprio Darwin, por diversos motivos: mutações nas células germinativas; o crossing over presente durante a meiose das reproduções sexuadas; um processo de disjunção aleatória que ocorre durante a Anáfase I com os cromossomos; união de gametas durante fecundação gerando um ser especifico em características.

    A dúvida que surge é, já que a evolução trata da sobrevivência do mais forte e não da geração de novas características, por que é classificada como “teoria evolutiva” se na verdade conta como os fracos perdem e os fortes – já adaptados a priori – sobrevivem, a teoria deveria ser então classificada como “lei da sobrevivência”, pois a palavra “evolução” trata de uma mudança para melhor e não de uma manutenção do que já existe.

    Observando de outro ponto de vista a dúvida acima, e tendo como base que as espécies podem na verdade evoluir. Tais – segundo Darwin – teriam de ser realizadas através de mutações e combinações genéticas, logo, várias espécies surgiriam em um determinado tempo e por coincidência seriam as únicas preparadas para sobreviver durante o próximo período histórico. Para comprovar – segundo esse ponto de vista – que o darwinismo estava correto, teríamos de encontrar vestígios de animais que não sobreviveram nem a um curto espaço de tempo – afinal, as mutações, sendo aleatórias, nem sempre auxiliam na sobrevivência -. 

    1. Acertos na teoria

 

    O darwinismo estuda as espécies e suas ligações, a partir da análise empírica. Ou seja, tudo aquilo que realmente for deduzido a partir dessa essência catalogadora, servirá como fato concreto.

    Explicando melhor: o darwinismo serve para analisar os animais e seus respectivos grupos e com base na semelhança deles encontrar um ancestral comum, um ser “genérico” para aquela espécie. 

    1. Interpretações errôneas

 

    Uma confusão constantemente realizada sobre o darwinismo original é a origem humana, deve-se lembrar que Darwin nunca desejou em seus estudos explorar o ser humano, esse foi um estudo pós-darwin ou ainda uma afirmação de um dos cientistas ligados a ele.

    Neste parágrafo, que deve ter ares de pura curiosidade, descrevo uma interpretação que surgiu das teorias darwinistas e que ultrapassaram o campo da biologia, da religião e do estudo histórico. É a interpretação que leva à guerra. A partir da idéia de seleção natural – onde grande população tem de lutar por existir escassez de recurso e apenas os mais aptos sobrevivem – muitos grupos tinham uma base ideológica que podiam passar como correta para explicar a guerra contra outros grupos. Olhando por certos ângulos pode-se pensar que o darwinismo veio para preparar o terreno às grandes guerras, argumento que - em verdade – provém de bases reais.

 

 

  1. CONCLUSÃO

 
 

    Toda teoria é apenas uma teoria.

    Cada estudioso escolherá a teoria que mais considerar correta, ou captará de cada teoria existente as bases para a sua própria. Devemos conhecer todas as idéias, opostas ou não às nossas opiniões, é isso que tento – pelas linhas e entrelinhas – passar com este trabalho.

    Ao falar de Lamarck e analisá-lo, o que muitos livros e pensadores nem se preocupam em fazer, e ao tentar associar o período histórico às teorias de evolução biológica, lanço minha crítica – ainda que simplória – a esse sistema que seleciona uma teoria e a idolatra como um axioma.

    Muito se deve ter cuidado ao estudar origens, isso sempre remeterá à origem da vida, ao motivo da vida, coisas que ainda são vistas como questões filosóficas e não biológicas.

    Exatamente por isso – essa distinção da evolução real e histórico-filosófica e da catalogação evolutiva biológica – que o darwinismo conseguiu se difundir. Afinal, ele agrega a evolução biológica e empírica. Tudo tão bem feito a ponto de hoje termos como teoria mais aceita o neodarwinismo – ampliação do darwinismo original -.

    “A mente deve estar sempre aberta para novas idéias e novas interpretações, focar em apenas uma teoria é bitolar-se, enxergar tudo que existe é estar pronto para evoluir.” 

 

 

  1. REFERÊNCIAS ELETRÔNICAS

 

  1. http://www.molwick.com/pt/evolucao/534-darwin.html#texto

 

  1. http://www.molwick.com/pt/evolucao/595-teorias-origem-do-homem.html#Lamarck

 

  1. http://www.unificado.com.br/calendario/08/jean_bap_lamarck.htm

 

  1. http://www.xr.pro.br/teoria_evolucao.html

 

  1. http://www.geocities.com/RainForest/Wetlands/4710/teorias.html

 

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