Virtuoso é quem tem virtude

Uma noção sobre Aristóteles

Erich Cavalcanti

2008

Aristóteles foi um grande filósofo da antiguidade clássica, ele fundamentou diversas teorias e movimentou diversos temas hoje ainda considerados importantes ou que ao menos duraram por muitos anos.

Desenvolveu a catalogação biológica, o estudo da metafísica, da psicologia humana, da física, da poética, da ética, da política e do direito, além de diversas representações em diversas áreas. Porém, para melhor estudo dele é bom centrar-se em alguns fatores como a física e metafísica, ter seu exemplo biológico de organização e superficialmente sua visão sobre a ética, política e direito. Para iniciar seu entendimento, comecemos pela não citada dialética. 
 

A dialética é a base de todo trabalho aristotélico e se resume à arrumação lógica de argumentos para comprovar ou averiguar sua veracidade. Daí surge a lógica aristotélica, grande ferramenta para entendimento lógico da vida e da natureza.

A dialética constitui de – essencialmente – definir-se premissas “A é B” e “B é C” para chegar-se na conclusão “A é C”. Essa é, porém, apenas a essência, ao estudar a lógica notamos que deve-se prestar atenção no sentido da palavra, no verbo utilizado e nas partículas “todo”, “alguns”, “nenhum”. Montando-se essa ordem argumentativa chegamos aos próximos teoremas de Aristóteles. 
 

Sobre a natureza, o físico e o metafísico, devido a sua alta filosofia a sua física e “além física” parecem às vezes se confundir e misturar-se. Essa mistura é natural. Para a filosofia não adiantaria apenas saber o que acontece, mas o motivo do que ocorre, quando tratamos dos porquês começamos a entrar, de pouco em pouco, em campos desconhecidos, em um campo obscuro que só pode ser explicado pela “além física”. A metafísica seria a ciência a estudar as origens e entender as essências, mas as essências estão vinculadas às coisas, se completam. Logo, apesar de muitos dividirem seu estudo da física e metafísica, preferirei unificá-los, pois são complementares, se não suplementares, para o bom entendimento.

A natureza esta presente nesse grupo para se demonstrar como igual física, seriam as “ciências”. A natureza de Aristóteles deu grandes passos, muito já hoje ultrapassados. Baseado em sua observação da natureza – auxiliada pelo envio de plantas exóticas de Alexandre a Aristóteles – ele criou a teoria da abiogênese, tentando explicar a origem da vida a partir de um sistema no qual tudo tem uma causa porém chega-se então a uma causa maior, nota-se que um pouco mais de observação lhe faria ir pouco além da abiogênese, que parece se ficar, logo de ínicio, ao metafísco.

Os animais eram divididos em classes, eram separados por tipos, hoje podem até ser considerados estranhos tais tipos, porém, para a época, tinha sido um imenso passo, ninguém havia catalogado e separado as coisas para estudo antes.

Toda analise, a qual não será mostrada, se baseia na observação do ato e potência, com a analise do movimento ele define as mudanças. Com idéia das causas ele determina essências e analisa as diferenças.

A essência e causa das coisas.

A essência é aquilo que sem, o algo não mais é; ou seja, é uma parte de algo que se retirada modifica tudo, é como a peça fundamental de uma construção, se removida todo prédio vai abaixo.

Já a causa é ligada a outro fator, seria o motivo pelo qual as coisas existem. Aristóteles divide tudo em quatro causas: material, formal, motora e final.

Sendo a material a "matéria" usada para fazer o 'algo';

a formal a "forma"  dada a este 'algo';

a motora é "quem ou o que" molda o 'algo';

a final é considerada a utilidade do 'algo'. 

Potência, ato e movimento

Temos que todos os objetos e seres estão em constante mudança, então ocorre o infinito ciclo de potência e ato, a transição dentre um e outro é o movimento.

Potência é tudo aquilo que pode se tornar algo, ou seja, é outra coisa potencialmente. Como exemplo, temos uma barra de ouro que seria um anel em potência.

O ato é toda uma coisa originaria de uma potência, o anel seria o ato da barra de ouro e a barra de ouro. A pedra preciosa seria ato do refino e lapidação.

Fazendo uma analise do movimento realizado, temos a idéia de diversos tipos diferentes de mudança. Seriam elas: substancial, qualitativa, quantitativa e espacial. Substancial é mudança da forma, as substância que cada ser é, implica do nascer ao morrer. Qualitativa é a mudança da propriedade, e logo de sua qualidade, seja para melhor ou pior. Quantitativa trata de quantidade, logo do acréscimo e redução de um fator. Por fim o espacial trata da mudança de lugar. 

Acidente

Definido para complementar o conceito de essência, o acidente seria tudo aquilo que um objeto tem, porém que se removido não o destruiria por completo. Ou seja, são parte importantes, porém não essenciais. 

O “Ato puro” é algo que é potência total, não esteve, está, nem estará em movimento e não é ato. Seria então uma força criadora que nunca foi criada nem sofreu influências, mas que tem capacidade para se tornar tudo. 
 

A ética e a política são fatores mais humanos que a filosofia tenta compreender. Aristóteles considera a busca pela satisfação pessoal e felicidade o fim natural da boa política e da boa ética. Isso baseado em que a única coisa que realmente buscamos é a satisfação própria, cada um a alcança a seus meios, logo, a ética seria moldada pela situação. O único meio de definir a ética corretamente é impondo-a a diversas situações e verificando sua sobrevivência. Uma analise o faz considerar virtude o meio-termo de tudo e vício os extremos, ou seja, quem dá a todos e quem dá a ninguém encontram-se em níveis de vício e logo erro quanto a ética própria ou grupal. Porém, os que permanecem no meio-termo (não confundir meio termo como indecisão) se aproximam da perfeição exatamente por agradar aos dois lados. Aristóteles vê na política a aplicação da ética ao povo, ou seja, o bom político segundo Aristóteles seria o que conseguisse se manter ético, ou seja, neutro mas não passivo, dentro de um povo diverso. 

O direito, segundo análise seria uma ramificação e união da dialética com a ética e com a política, seria a união de termos para gerar confirmação e verdades. Vale lembrar que o direito cria novas verdades através de uma indução lógica, não é considerada a existência de verdades. 

Sobre a política, realizando uma análise com base em sua concepção ética, Aristóteles chega a supor o seguinte sobre cada governo: 

Governo Base Positivo Degenerativo
Monarquia Um no comando Unidade Tirania
Aristocracia Poucos no poder Qualidade Oligarquia
Democracia Muitos no poder Liberdade Demagogia
 

O governo perfeito não poderia ser nem estes, se apresentados com seus degenerativos, nem um governo idealizado – tal como Platão poderia tentar supor – o governo dos homens deveria ser algo presente, para tal estar certo só há uma maneira, o governante se preocupar com o “bem comum” ao invés de si mesmo apenas. 
 

Uma relação de obras, ou melhor, um conjunto imenso de diversas obras, foi o que Aristóteles realizou. Tem-se como alguns de seus escritos sobre a natureza e física: Física, Sobre o Céu, Sobre a Ge ração e Corrupção, Meteorológicos. Segue-se a estes obras de suplemento: Da Alma, Da sensação e do sensível, Da memória e reminiscência, Do sono e vigília, Dos sonhos, Da adivinhação pelo sonho, Da longevidade e brevidade da vida, Da juventude e senilidade, Da respiração, História dos animais, Das partes dos animais, Do movimento dos animais, Da geração dos animais, Da origem dos animais. Têm-se por fim obras como: Ética a Nicômaco, Ética a Eudemo, Magna Moralia, Política, Poética, Retórica. 

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