Virtuoso é quem tem virtude

Voltaire

 

O homem que prezava o conhecimento

 

Voltaire tem todas suas concepções ligadas a um único fator, a busca incessante pelo conhecimento. Por este motivo ele se mostra contra Rousseau ao este dizer que a sociedade corrompe o homem e que há o bom primitivo, como poderia um devoto do conhecimento e da evolução aceitar que o provedor do conhecimento levará à corrupção do ser? (não respondam, é um retórica) Pela mesma essência Voltaire se mostra contra a igreja católica, não contra a religião, mas sim contra o meio que ela impunha as coisas e impedia aos cientistas de evoluir.

Voltaire é o iluminismo em se, ele tem em seu ser a idéia da fraternidade religiosa, pois assim religiosos se ocupariam com a religião – sua e dos outros – e deixariam a ciência evoluir, tal como ele nota na Inglaterra durante seu exílio. Este exílio construiu essa idéia no filósofo, principalmente quando ele conhece Isaac Newton, aproveitando o gancho cito que Voltaire e sua amante traduziram e levaram à França diversos escritos e livros de Newton, alguns deles ainda nem publicados na Inglaterra.

A liberdade comercial e de opinião fundamentaram sua vida. Respectivamente seu dinheiro e uma sua frase ressalvam bem tais ideais. O dinheiro vinha do investimento no tráfico de escravos, algo considerado normal e até lucrativo na época. A frase é a que se segue: “Posso não concordar com nenhuma das palavras que dizeis, mas defenderei até a morte teu direito de dizê-las.” Da sua “liberdade de opinião” temos seu auxílio na criação da “Enciclopédia” e temos o seu fator ‘moradia’. Escreve-se que vários pontos onde ele morou tornaram-se casa do saber, a discussão era lá presente, juntava-se os ares da filosofia e da calma, pois sempre era uma paisagem “exótica”.

Por fim ele defende a liberdade jurídica, desejando que o monarca e a igreja pudessem sofrer, isso vem, possivelmente, ligado ao seu exílio, onde, apenas devido ao mal relacionamento com a guarda, fora punida e a guarda, por ser de certo modo superior, manteve-se ‘numa boa’.

Voltaire teorizou sobre a origem da raça humana, não pareceu chegar a nenhuma grande conclusão, apenas achava improvável negros, brancos, amarelos e vermelhos terem vindo de mesmo descendente comum.

Entrou para a maçonaria no ultimo ano de sua vida, neste mesmo escreveu carta de desculpas à igreja, provavelmente por ser um religioso visto como ateu. E então, em póstumos, ainda ocorrem três coisas interessantes: seu enterro, sua entrada em Paris, seu ponto de repouso.

Enterro.

A família quis que seus restos repousassem na abadia de Scellieres. Em 2 de junho, o bispo de Troyes, em uma breve nota, proíbe severamente ao prior da abadia que enterre no sagrado o corpo de Voltaire. Mas no dia seguinte, o prior responde ao bispo que seu aviso chegara tarde, porque - efetivamente - o corpo do filósofo já tinha sido enterrado na abadia.

Entrada em Paris.

“No dia 11 de julho de 1791, Voltaire fez sua segunda entrada gloriosa na capital. Desta vez como múmia ilustre. Bailly, o prefeito, veio esperá-lo para, ao lado da carreta aparamentada, fazê-lo desfilar perante o povo com as honras da guarda nacional até o seu repouso final no Panteão. Por um dessas ironias do destino, a festiva chegada de Voltaire quase coincidiu com o retorno sombrio de Luís XVI e da sua família, aprisionados em Varennes após a fracassada fuga em direção à Bélgica. Enquanto o rei dinástico recolhia-se aprisionado pelo povo para as Tulherias (e, pouco tempo depois, para a prisão do Templo, encontrando o seu fim no cadafalso), o rei do espírito era definitivamente inumado na necrópole dos grandes da França, onde está até hoje. Quanto ao corpo do infeliz Luís XVI nunca mais se soube dele.”

Ponto de Repouso.

Seus restos mortais foram transferidos após a revolução. E “descansam” em frente ao seu “inimigo” declarado, Rousseau.

Considerado por uns como precursor de Comte. Ele aceita as concepções de São Tomás de Aquino sobre o Deus, tal onde Deus seria a causa primeira de tudo, a inteligência suprema.

“Voltaire, de certo modo, pode ser visto como um precursor do positivismo, da idéia de Comte de que o moderno progresso da humanidade dependia muito mais dos cientistas, dos artistas e dos homens de letras e de negócios em geral, e não dos rei conquistadores nem dos padres como a historiografia cortesã gostava de enfatizar.”

Sobre a inteligência e os livros: "Muitos bons burgueses, muitas grandes cabeças, que se julgam boas cabeças, dizem, com ar importante, que os livros não servem para nada. Mas não sabem, esses vândalos, que não são governados a não ser por livros? Não sabem que o código civil, o código militar e os Evangelhos são livros de que dependem continuamente. Leiam, esclareçam-se; só pela leitura se fortifica a alma; a conversação a dissipa, o jogo a limita."

 

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